terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

do outro lado do rio

Banhada pelo rio Tarumã-Açu, esta casa inspirada nas palafitas e com jeito de resort tem a floresta Amazônica como habitat
publicado na Revista CASAMIX

 foto: Jomar Bragança


Em meio à maior floresta tropical do mundo, uma casa foi construída às margens do rio Tarumã-Açu, afluente do rio Negro, na Amazônia. Ali, tranquilidade e beleza natural resultam em uma morada favorecida pelo entorno, absolutamente convidativo à apreciação da rica paisagem.

Em um terreno de 12 mil metros quadrados, três casas formam o que a arquiteta mineira Ana Paula Massote Rohlfs chama de resort particular. Divididos em área social, lazer e hóspedes, o complexo é uma residência de veraneio, com piscina, Spa, sauna, espaço gourmet, sala de jogos e ginástica. “Para um ambiente onde os moradores pudessem receber amigos, construí um bangalô em balanço com 15 metros acima do rio, inspirado nas palafitas de madeira, situadas na região ribeirinha dos rios da Amazônia”, diz.

A área de lazer e a casa de hóspedes foram implantadas com maior recuo em relação ao rio, mas, nem por isso menos interessantes, já que inclui uma piscina que contorna parte da casa e preserva o fundo infinito. 

Para suportar a alta umidade do ar na região, a profissional utilizou madeira naval, única liberada no Amazonas, para construir os decks e os pergolados que interligam as casas. Com aquecimento solar e aproveitamento da água pluvial, o projeto preza pela sustentabilidade.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

sempre que se esvai

sempre que se vai, ficarei
meus botões a mil pesando roupa e mente
pensando tudo que poderia ter-te dito
tudo que deveria verbalizar com silêncio

sempre que se vai, ficarei
preocupada com o estar ausente
a preocupar-me se você respira
se o meu ar alcança teus pálidos pulmões

sempre que se vai, ficarei
entalada
e ao mesmo tempo
transbordando vontades

sempre que se vai, ficarei
a te olhar, que seja, como o ser dos tolos
a te imaginar fazendo a coisa mais inútil e silenciosa e linda que existe
a te sentir em minhas prediletas canções

sempre que se vai, ficarei
na redundância de dizer que te adoro ser
que sinto tua falta nos dias
que ouço teu riso nas paredes

sempre que se vai, ficarei
a regar uma estranha flor
dentro de mim moradia
flor que rego a cada madrugar
lágrimas provindas d’estômago
ácidas e doloridas

sempre que se vai, ficarei
por aqui
ao seu lado
dentro de você
fora de mim

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

a globeleza do povo


Por um tempo, ela fazia chapinha. É certo dizer. Reflexo de quem, na infância, não suportava aquela chuquinha que a mãe insistia amarrar no cabelo duro. Puxava testa, puxava juízo, puxava o cocuruto todo. A mãe puxava o saco. “Que linda minha filhinha!”.

A filhinha cresceu. Cresceu copiando os passos e figurinos da Xuxa. Preciso dizer que ela queria ser paquita? Pois bem. Até garota do Fantástico ela imaginava ser. Era mergulhar na água, e lá estava girando e surgindo pro mundo. O da fantasia de ser, claro!

Foi numa dessas brincadeiras de menina querendo ser mulher que a Globeleza do povo pediu pra uma amiga, muy amiga, pintar as unhas e o corpo. “É, pega guache. Dá nada não”. Gostou da sua versão Valéria Valenssa. Sonhava também com um gringo-loiro-alto-olho-verde-cheio-da-grana. Sonhava.

Sambar que é bom ela não sabia. Mas na frente da tevê se requebrava feito lagartixa eletrocutada. Ziriguidum sem rumo no telecoteco. Nas festas não dançava, mas sabia do que era bom. Bom, depois de se enroscar nas próprias pernas e seguir rumo ao chão, foi pra nunca mais tentar. Poxa, tinha que ser diante daquele flerte?! Deu trauma no sarará.

Sarará ela tinha por um tempo. E até gostava. Principalmente quando passeava na Vila e a molecada gritava: “Gostosa! A lá a Globeleza do Povo”. Acenava com tchauzinho de Miss. Estava descoberto o poder da sensualidade inerente às musas carnavalescas seminuas. Aderiu codinome. Fosse dela ou não o título imaginário, se revelava ali certa popularidade.

Mas era a molecada da comunidade gritar “cabelo duroooo”, que ela, se achando a musa do apito, virava a cara e tentava com toda a birra jogar os cabelos; desfavorecida pelo vento, que não movia uma só mecha.

Cresceu vendo o carnaval na tevê. Sacudindo no globo, o centro de ser próprio umbigo. A Valenssa perdeu o posto. A Globeleza do povo não aprendeu a sambar que é bom. Virou dançarina de funk com votos de “consuma-me”. Voltou a fazer chapinha. Afinal, o povo gosta.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

as brasileira

Pois bem, minhas beldades. 

Matutando cá com meus botões sobre a nova série global “As Brasileiras”, que estreou na última quinta-feira (2) e que, dizem, depois do tremendo sucesso de 'As Cariocas', a série com 22 episódios irá ao ar toda quinta depois do BBB, com direção de Daniel Filho.

Se é bom ou ruim, se as atrizes escolhidas são as melhores ou não, não cabe aqui dizer, não cabe a mim tampouco. O fato é que dediquei atenção aos títulos que traduzem tais brasileirinhas. São alguns deles e suas respectivas:

“A Justiceira de Olinda” (Juliana Paes)
“A de Menor do Amazonas” (Maria Flor)
“A Viúva do Maranhão” (Patrícia Pillar)
“A Reacionária do Pantanal” (Sandy)
“A Desastrada de Salvador” (Ivete Sangalo)
“A Fofoqueira de Porto Alegre” (Xuxa)
“A Mãe da Barra” (Glória Pires)

Aí retomo: de que brasileiras estamos falando? Fica a dica, fica a dúvida. Por isso, meus quitutes, na inquietação que me cabe e no tempo que não tenho de pensar/perder nisso tudo, tomei a liberdade de criar títulos inspirados nas mulheres que conheço, nas do meu cotidiano, nas que vejo no metrô, nas amigas, tias, mães, filhas, amantes, donas de casa, labutadeiras de que tenho notícias, contato, tato, conhecimento. Inspirada talvez na mulher que sou, na que tenho sido, na que serei ou eu sei lá.

Bem, a “brincadeira” aqui tem seus contos traduzidos em alguns títulos:

“A fulana de tal”
“A vendedora da Avon”
“A magrela de ruim”
“A promíscua do cuscuz”
“A fazedora de intriga”
“A que não fede nem cheira”
“A selvagem da catuaba”
“A invejosa de porra nenhuma”
“A bem comida”
“A evangélica do Judas”
“A pirigueti da ZL”

As sinopses, ou melhor, os contos que publicarei toda quinta (fé em deus e na escrita que conseguirei cumprir. Lembrando, sobretudo, que "As Brasileira" é um exercício meu de escrita), envolvem também a possibilidade de produção de curtos vídeos. Ainda é só piloto, mas se vingar, serão postados no youtube, no mesmo horário da série. Isso de concorrer eu aprendi com um amigo televisivo, vale dizer. Mas, ainda é só possibilidade em HD, uma vez que preciso contar com brasileiras-amigas-dispostas a encarar a tal dublagem: a de ser-se mulher. E, claro, ceder direitos de imagem e de sorrir da própria condição, mulé.

No facebook curtido, feito dedo de moça apimentado, você pode conhecer a página que trará os contos, fotos e os possíveis episódios da séria, sim, séria, “As brasileira”. Assim, propositalmente despluralizado e bem-humorado. Já que ainda estamos todos por descobrir a pluralidade feminina. Tantas são as nossas nacionalidades, de dentro e fora do nós.