domingo, 22 de janeiro de 2012

sabe

sabe, o tempo
passou
não viu a brisa do tempo
soprar

sabe, perdeu
tanto tempo
travando os dentes
sabe defesa?
quando se perdia em lembranças

sabe
assim
rangido?

sabe,
se rangia por dentro,
como portas velhas que ainda insistem aberturas

sabe, percebia
mesmos traços
destroços num rosto alheio

sabe o tempo?
perdera
sem se conhecer

perdendo
tempo
com o que não sabia sentir

sabe, ali
nos resquícios
do que se tornara

era pó
das coisas
sabe...

sabe, lá
qual era o tamanho importante
desse todo sentido
de si

sabe
auto
piedade?

perdera com o tempo

sabe, o tempo?
parou
quando passou o tempo do outro

no tempo do outro não havia
mais nem tempo muito
menos espaço

sabe um vão?

sabe chorar por entre frestas
apagões do tempo que insistia em branco
deixar
  
sabe, o branco era tudo que tocava

sabia encontrar o branco
e quase enxergava,
como o vento
cega dos olhos
brancos

sabe branco,
como o tempo?
perdido e encontrado
leve e docemente inspirado em lissy elle